Um dia com a companheira Joaquina Dorado Pita

http://www.cntgaliza.org/files/joaquina5.jpg Chegou a 6ª feira (venres) Joaquína a Compostela e levávamos dois anos sem vê-la desde que falou junto com o companheiro José Iglesias no ano 2005 em que nos emocionamos e vibramos com eles.

Fomos vários companheiros e companheiras de refeição com ela e falamos longo e tendido de como ia o sindicato, que projectos havia e como se sentia ela. Interiramo-nos de que Joaquina deixou já definitivamente o seu endereço de Paris e fica definitivamente em Barcelona e que talvez se a saúde lho permite poderemos desfrutar máis dela por Galiza.

Depois do jantar fomos fazer-lhe de novo uma entrevista e desta vez ela falou máis polo miúdo da sua vida, da sua militância e foi perdendo aos poucos esse pudor tão característico das pessoas que não se dão importância, e que dedicaram todos os seus esforços a luta social e sindical. Vimo-la com fome de contribuir no que puder à marcha da CNT, de colaborar para ser-nos útil.

Joaquina tem quase 90 anos que são 90 anos de vida vivida e militante. Desde que tinha 18 anos em que se iniciou nas “Juventudes Libertárias” na Barcelona libertária até hoje, passando pola luta sindical com cargos no sindicato (Secretária Geral da Madeira de Barcelona na guerra), o exílio, a luta revolucionária clandestina nos anos 40 e 50 que a levaria ao cárcere (ao igual que ao seu companheiro Liberto Serrau) e depois de novo ao exílio e a luta confederal. Também tangeu e segue o naturismo e a medicina natural.

Desconhecia a companheira muitos dos acontecimentos da repressão na Galiza sobre CNT, mas levou material de livraria para ir-se pondo ao dia. O sábado houve no Principal uma homenagem às mulheres represaliadas polo franquismo e com elas esteve a nossa companheira, com seu distintivo de CNT, e ali acompanhando-a estavam companheiros e companheiras. Todas as mulheres que ali estavam sofreram a repressão duramente, mas nenhuma tinha a valia militante e os anos de luta constante e arreu de Joaquina Dorado Pita, e não falamos por falar é uma realidade.

Depois da homenagem houve um almoço no que éramos umas 100 pessoas e Joaquína abraçou a Mariquinha (filha do companheiro assassinado José Villaverde), a Esther (neta de Casares Quiroga) e as netas de Ricardo Mella. Foram momento emotivos e importantes para todas elas e para todas nós. Eram três gerações de anarquismo juntas.

A nossa companheira Joaquina estará uns dias na Corunha e volta a Barcelona, sentimos os que a conhecemos não podermos estar com ela máis a miúdo e celebramos o té-la conhecido. Até que nos vejamos de novo.

Obrigad@s pela tua vida companheira Joaquina
Saúde e anarquia