Prensa obreira

Finou a companheira Rosa Bassave Roibal

Rosa BAssave Roibal

Com fundo pesar devemos informar de que esta manhã falecia a companheira Rosa Bassave Roibal, depois de uma vida inteira dedicada à luta contra a opressão e a dominação, contra o fascismo, o poder, o capital e o patriarcado, uma luta que percorreu muitos caminhos mas que a mantiveram sempre do lado que devia: ao lado da classe trabalhadora, das mulheres, dos fracos, das pessoas oprimidas, uma luta incansábel mais alá da perseguição, a repressão e também a doença, uma luta que a inscreve na digna história de luita da classe trabalhadora, da Galiza e, humildemente, do mundo.

A companheira Rosa será incinerada manhã, quarta-feira 12, às 11:30 da manhã, no cemitério de Boisaca. Que a terra e o mar lhe sejam leves.

Desde os dezasseis anos Rosa soube o que era trabalhar, tendo-se empregado numa fábrica de montagens eléctricas da Corunha, a cidade da que era originária. Trabalhou embarcada junto com o seu companheiro Alberte de Esteban, com quem casou civilmente na altura de 1972, em pleno franquismo, e trabalhou em Londres e Paris.

Depois de voltar a Compostela em 1973 milita na UPG (Unión do Povo Galego) e faz parte da executiva da AN-PG e depois do BNPG (Bloco Nacional-Popular Galego), até que decide abandoná-los em 1979 para militar definitivamente já para toda a vida no movimento libertário. Em 1979 faz parte da Federação Anarco-Comunista Galega e da redação da revista Arco da Velha, uma das primeiras revistas do movimento libertário galego depois da morte de Franco e, sem dúvida, a de maior qualidade tanto pelo seu desenho como pela amplidão de temas tratados e a profundeza da análise aplicada.

Fundou a cooperativa de reprografia 1846, e logo desde 1983 trabalhou na Universidade de Compostela, sendo nos últimos anos directora da biblioteca da Faculdade de Matemáticas. Rosa foi uma das pessoas participantes na refundação da CNT na cidade de Compostela no ano 1983, na que militaria incansavelmente. Foi Secretária Geral desta Federação Local nos anos 1990-92 e 2001-2003, ademais de ter participado noutros cargos e de manter-se permanentemente na militáncia de base. Foi também Secretária Geral da Regional da Galiza entre os anos 2004 e 2006.

Paralelamente à sua militáncia anarcosindicalista não descoidou outras frentes de luta, como foram o feminismo, participando na refundação de Mulheres Livres em 1988 e logo na Marcha Mundial das Mulheres, ou a intervenção cultural desde o Ateneu Libertário de Compostela, no que participava destacadamente na redação da revista (A)narquista. Dedicou-se com intensidade a propagar as ideias libertárias e feministas em múltiplas conferências e mítines ao longo dos anos. Teve também uma participação destacada nas reivindicações da memória histórica e na recuperação do conhecimento do passado revolucionário da CNT.

O passo de Rosa por este mundo rematou, mas ela pode dizer que viveu como desejou e que a sua vida valeu para muito. Muitos companheiros e companheiras podem assegurá-lo. Esteja onde esteja, muitos manteremos a lembrança da sua vida e a sua luta.